CBS de 11,3%: o que a alíquota do TCU muda no preço da sua empresa
O TCU calculou a CBS de 2027 em 11,3%, bem acima dos 8,8% que o mercado usava nas contas. Veja por que o número subiu, quanto ele pesa em cada regime e o que revisar antes da primeira nota de janeiro.

Na quarta-feira, 28 de outubro, o Tribunal de Contas da União fechou a conta da CBS para 2027: 11,3%.
Até ontem, a maioria das simulações de preço usava 8,8%. Algumas usavam 9,21%. Se a sua tabela de 2027 foi feita com um desses números, ela já está errada.
A diferença parece pequena. Numa empresa de serviços no Lucro Presumido que fatura R$ 100 mil por mês, ela vale R$ 2 mil a mais de imposto todo mês.
Aqui você vê o que o TCU decidiu, por que a alíquota ficou maior, quanto ela pesa no seu regime e o que ainda pode mudar até dezembro.
CBS de 11,3% em 2027
Alíquota de referência calculada pelo TCU para substituir PIS e Cofins a partir de 1º de janeiro.
Decisão: 28/10/2026
Até 2,5 pontos acima do previsto
As contas do mercado usavam 8,8%. O Comitê Gestor projetava 9,21%.
Refaça suas simulações
Senado decide até 15/12
Se o Senado não votar outra alíquota, os 11,3% valem automaticamente em janeiro.
Prazo: 15/12/2026
O que é a CBS e o que o TCU decidiu
A CBS, Contribuição sobre Bens e Serviços, é o tributo federal criado pela reforma tributária para substituir o PIS e a Cofins. Ela começa a ser cobrada em 1º de janeiro de 2027.
A CBS é calculada por fora do preço. O imposto aparece separado na nota, e o comprador que está no regime regular abate o que pagou nas compras.
Pela regra da reforma, o TCU calcula a alíquota que mantém a arrecadação federal no mesmo nível de hoje. O Senado confirma ou altera esse número por resolução.
O cálculo exato deu 11,3468%, arredondado para 11,3%. O relator, ministro Vital do Rêgo, resumiu o critério: não buscar a maior arrecadação possível nem a menor alíquota imaginável, mas o percentual que garante a equivalência exigida pela Constituição.
Para entender como a CBS aparece na nota fiscal, veja o nosso guia sobre IBS e CBS 2027 nas notas fiscais e nos preços.
Por que a CBS ficou em 11,3% e não em 8,8%
A meta do cálculo é fixa: arrecadar com a CBS o mesmo que a União arrecadava com PIS e Cofins, cerca de 4,99% do PIB.
O que muda a alíquota é o tamanho da base. Cada setor com alíquota zero ou com desconto tira dinheiro da conta, e quem não tem desconto paga para cobrir.
Ajuste no cálculo do TCU | Efeito na arrecadação |
Produtos com alíquota zero (como a cesta básica) | − R$ 126,3 bilhões |
Setores com alíquota reduzida | − R$ 61,9 bilhões |
Compras do governo | − R$ 35,6 bilhões |
Atividades imobiliárias | − R$ 26,8 bilhões |
Cashback para famílias de baixa renda | − R$ 10,5 bilhões |
É por isso que a alíquota cheia sobe. Quanto mais exceção a lei cria, maior a conta de quem ficou fora dela. Para a maioria das empresas de serviços, comércio e indústria, essa é a alíquota que vai aparecer na nota.
Estimativa da CBS para 2027 | Alíquota |
Referência usada pelo mercado em 2026 | 8,8% |
Comitê Gestor do IBS (julho/2026) | 9,21% |
ROIT, consultoria tributária | 9,43% |
TCU (28/10/2026) | 11,3% |
O Ministério da Fazenda estima que a alíquota média efetiva fique abaixo de 8,5%. As duas contas não se contradizem. A média considera todos os setores com desconto. A sua empresa, se não tiver desconto, paga a referência cheia.
CBS e IBS: o IVA de 30% e o que isso significa em 2027
A CBS é metade do novo modelo. A outra metade é o IBS, imposto de estados e municípios que vai substituir ICMS e ISS.
O Comitê Gestor do IBS trabalha com uma projeção de 18,7% para o IBS. Somada aos 11,3% da CBS, a alíquota total chega a cerca de 30%. A Hungria, que hoje tem o maior IVA entre os países da OCDE, cobra 27%. A média da OCDE é 19,4%.
Para 2027, o número que importa é outro. O IBS fica em teste, com 0,1%, até 2028. A cobrança cheia do IBS só chega em 2033, de forma gradual.
No ano que vem, a mudança real no seu caixa é a troca de PIS e Cofins pela CBS de 11,3%.
Quanto a CBS de 11,3% pesa na sua empresa
O efeito depende do regime tributário, ou seja, da forma como a sua empresa calcula e paga impostos.
1. Empresa no Lucro Presumido
É onde a conta mais assusta. Hoje, no Presumido, PIS e Cofins somam 3,65% sobre o faturamento, sem direito a crédito.
Uma empresa de serviços que fatura R$ 100 mil por mês e compra R$ 20 mil em insumos com nota fica assim:
Cenário | Imposto sobre a venda | Crédito das compras | Recolhe por mês |
Hoje (PIS + Cofins 3,65%) | R$ 3.650 | sem crédito | R$ 3.650 |
CBS de 8,8% (conta antiga) | R$ 8.800 | R$ 1.760 | R$ 7.040 |
CBS de 11,3% (TCU) | R$ 11.300 | R$ 2.260 | R$ 9.040 |
São R$ 2 mil por mês a mais do que a conta com 8,8%. Em relação a hoje, o recolhimento fica 2,5 vezes maior.
Isso não quer dizer prejuízo automático. Se o preço for montado com a CBS por fora e o cliente for uma empresa do regime regular, ele recupera o imposto como crédito. Quem perde é quem mantém o preço antigo com imposto embutido.
2. Contrato com preço fechado e impostos inclusos
Um contrato de R$ 10 mil por mês com impostos inclusos destina hoje R$ 365 para PIS e Cofins.
Se o cliente continuar pagando R$ 10 mil no total em 2027, a CBS de 11,3% por fora consome R$ 1.015. São R$ 650 a mais por mês saindo da sua margem. Em um ano, R$ 7,8 mil num único contrato.
Com a conta antiga de 8,8%, essa perda era de R$ 444 por mês. A decisão do TCU aumentou o rombo em quase 50%.
3. Empresa no Lucro Real
No Lucro Real, PIS e Cofins já somam 9,25% com direito a crédito. A troca para 11,3% sobe a alíquota em pouco mais de 2 pontos. O efeito é menor, mas aparece na margem de quem tem pouco a abater, como empresas de serviço com folha alta.
4. Empresa no Simples Nacional
Quem fica no Simples continua pagando tudo no DAS. A parcela que hoje corresponde a PIS e Cofins passa a ser CBS dentro da guia, e a alíquota de 11,3% não entra direto na sua conta.
O problema aparece na venda para outras empresas. O crédito que o fornecedor do Simples transfere fica limitado ao que ele recolhe no DAS. Com a CBS cheia em 11,3%, a diferença de crédito entre comprar de você e comprar de um concorrente do regime regular aumenta. O cliente percebe isso no custo e pode pedir desconto.
Se a maior parte da sua receita vem de empresas, vale comparar o DAS com o regime híbrido. Explicamos os dois caminhos em IBS e CBS no Simples Nacional: tradicional ou híbrido.
5. Setores com redução
Nem todo mundo paga os 11,3% cheios. Saúde, educação e transporte coletivo têm redução de até 60%. Profissionais liberais têm redução de 30%, o que leva a alíquota para cerca de 7,9%. Produtos da cesta básica nacional têm alíquota zero.
Use o simulador abaixo para ver o efeito nos números da sua empresa:
A alíquota de 11,3% ainda pode mudar?
Pode, mas o prazo é curto e a regra favorece o número do TCU.
30/10/2026
TCU envia o cálculo da alíquota ao Senado
Proposta oficial
15/12/2026
Prazo para o Senado fixar a alíquota por resolução
Último prazo para mudar
01/01/2027
CBS entra em vigor. Sem decisão do Senado, valem os 11,3%
Primeira nota com CBS
2028 a 2033
O TCU refaz o cálculo todo ano para o ano seguinte
Revisão anual do preço
Ou seja: se nada acontecer em Brasília, a sua primeira nota de janeiro sai com 11,3%. Planejar com 8,8% e torcer por uma mudança é apostar a margem do primeiro trimestre.
O que revisar até dezembro
Você tem menos de dois meses até a primeira nota de 2027. Refaça as contas com 11,3%:
Tabela de preços
Separe preço líquido e imposto. Se a sua simulação usou 8,8% ou 9,21%, ela precisa ser refeita.
Contratos com impostos inclusos
Liste os contratos de valor fechado e calcule quanto da margem a CBS consome em cada um.
Cláusula de reequilíbrio
Veja se o contrato prevê reajuste por mudança tributária. Ela define quem paga a diferença.
Fornecedores
Confirme o regime de cada um em 2027. Quem gera mais crédito pode sair mais barato.
Fluxo de caixa de janeiro a março
O recolhimento maior chega junto com o fim do regime de caixa no Simples e com as despesas de início de ano. Veja como projetar o fluxo de caixa dos próximos meses.
Se o seu preço ainda usa uma porcentagem fixa de imposto, refaça a conta com o passo a passo de como calcular o preço de venda de um produto ou serviço. Para acompanhar o efeito produto a produto, use a margem de contribuição.
Perguntas frequentes sobre a CBS
O que é a CBS?
É a Contribuição sobre Bens e Serviços, tributo federal que substitui PIS e Cofins a partir de 1º de janeiro de 2027. Ela é cobrada por fora do preço e permite abater o imposto pago nas compras.
Qual é a alíquota da CBS em 2027?
O TCU calculou a alíquota de referência em 11,3%. O Senado tem até 15 de dezembro para confirmar ou alterar. Sem votação, valem os 11,3%.
Por que a CBS ficou maior do que o previsto?
Porque o cálculo precisa arrecadar o mesmo que PIS e Cofins. Cada setor com alíquota zero ou reduzida diminui a base, e a alíquota cheia sobe para compensar.
A CBS de 11,3% vale para o Simples Nacional?
Não diretamente. Quem fica no DAS paga a CBS dentro da guia, no lugar da parcela de PIS e Cofins. O efeito aparece no crédito menor que o fornecedor do Simples transfere para clientes empresariais.
O Brasil vai ter o maior IVA do mundo?
Se a projeção de 18,7% para o IBS se confirmar, a soma com a CBS chega a cerca de 30%, acima dos 27% da Hungria. Mas o IBS só chega à alíquota cheia em 2033. Em 2027 ele fica em 0,1%.
Quem refizer a conta com 11,3% agora negocia antes de janeiro
O TCU tirou a dúvida que faltava. A CBS de 2027 tem número, e ele é maior do que o mercado esperava.
A empresa que refizer preço e contratos em novembro ainda tem tempo de conversar com o cliente. A que deixar para a primeira nota de janeiro vai descobrir o efeito no caixa.
Na Com Você Scala, a equipe Fiscal faz essa conta com os números da sua empresa. Simulamos a CBS de 11,3% sobre o seu faturamento, mostramos o efeito na margem de cada contrato e apontamos onde o preço precisa mudar. Se fizer sentido, revisamos também o regime, como explicamos em planejamento tributário 2027.
Sabe quanto a CBS de 11,3% vai custar para a sua empresa em 2027?
A Scala faz o diagnóstico da sua carga tributária e mostra o que ajustar no preço antes de janeiro.
Fontes: Agência Senado, CNN Brasil, InvestNews, SBT News.



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