Balanço patrimonial: o que é, como fazer e usar na tomada de decisão
- Com você, scala
- 20 de jan.
- 7 min de leitura
Use o balanço patrimonial para enxergar a saúde financeira da sua empresa, conectar números à estratégia e tomar decisões com mais segurança.

O papel do balanço patrimonial na gestão inteligente do negócio
Quando o assunto é gestão, boa parte dos empresários olha apenas para o caixa do dia a dia:
“entrou mais do que saiu?”.
Só que essa visão é limitada.
O balanço patrimonial traz uma fotografia completa da empresa:
O que ela possui (bens e direitos);
O que ela deve (obrigações);
E qual é, de fato, o patrimônio dos sócios.
Ele é uma das principais demonstrações contábeis, ao lado da DRE (Demonstração do Resultado do Exercício), e é fundamental para decisões como: investir, buscar crédito, distribuir lucros, reduzir dívidas e ajustar a estrutura do negócio.
O que é balanço patrimonial?
O balanço patrimonial é um relatório contábil que apresenta, em uma data específica (geralmente no fim de um período), a posição financeira da empresa.
Ele é estruturado em três grandes grupos:
Ativo – tudo aquilo que a empresa possui ou tem a receber e que pode ser convertido em dinheiro.
Passivo – tudo aquilo que a empresa deve: compromissos com bancos, fornecedores, impostos, salários etc.
Patrimônio Líquido – representa a “parte dos sócios” na empresa: capital investido, lucros acumulados, reservas.
A famosa equação do balanço é:
Ativo = Passivo + Patrimônio Líquido
Se essa conta fecha, significa que o balanço está matematicamente equilibrado.
Para que serve o balanço patrimonial?
O balanço patrimonial não é um relatório “para o contador”. Ele é uma ferramenta de gestão para o empresário e para quem toma decisão.
Ele serve para:
Avaliar a saúde financeira da empresa em uma data específica.
Entender o nível de endividamento e a capacidade de pagamento.
Analisar a qualidade dos ativos (se tem muito estoque parado, muitos clientes inadimplentes etc.).
Ver o tamanho real do patrimônio da empresa (quanto realmente pertence aos sócios).
Dar suporte em negociações com bancos e investidores.
Atender exigências legais e fiscais em processos de auditoria, financiamento, licitação, entre outros.
Isso quer dizer que o balanço patrimonial responde perguntas como:
“A empresa tem capital de giro suficiente?”
“Dependemos demais de dívidas de curto prazo?”
“O patrimônio cresceu ou diminuiu em relação ao ano passado?”
Quem pode fazer o balanço patrimonial?
O balanço patrimonial é um relatório contábil oficial. Por isso, precisa ser elaborado e assinado por um profissional de contabilidade habilitado, registrado no Conselho Regional de Contabilidade (CRC).
O processo costuma ser assim:
A empresa registra sua movimentação financeira e patrimonial ao longo do período.
O contador (interno ou escritório contábil) organiza as informações, faz os lançamentos contábeis e monta o balanço.
A gestão (diretores, sócios, CFO, controller) analisa e usa o balanço para tomar decisões.
Ou seja: o contador produz o balanço, mas quem precisa dominar a leitura desse relatório é o gestor.
Quando o balanço patrimonial deve ser feito?
A exigência mínima costuma ser anual, mas, na prática, as empresas que levam gestão a sério trabalham com balanço em ciclos menores:
Balanço anual: obrigatório para fechamento de exercício e atendimento a bancos, órgãos reguladores etc.
Balanço trimestral ou semestral: muito usado em empresas em crescimento ou que precisam reportar resultados a investidores.
Balanço gerencial mensal: empresas mais estruturadas usam uma versão gerencial do balanço todo mês, integrando contabilidade e gestão financeira.
Quanto mais frequente, mais o balanço patrimonial deixa de ser “papel de gaveta” e se transforma em painel de controle para decisões.
Estrutura do balanço patrimonial
A estrutura básica do balanço patrimonial é dividida em grupos e subgrupos. Veja um resumo:
Estrutura conceitual do balanço patrimonial
Grupo | O que inclui | Exemplos práticos |
Ativo Circulante | Bens e direitos de curto prazo | Caixa, bancos, clientes (duplicatas a receber), estoques |
Ativo Não Circulante | Bens e direitos de longo prazo | Máquinas, imóveis, veículos, investimentos, depósitos caução |
Passivo Circulante | Obrigações de curto prazo | Fornecedores, salários a pagar, impostos a recolher, empréstimos de curto prazo |
Passivo Não Circulante | Obrigações de longo prazo | Empréstimos de longo prazo, financiamentos, debêntures |
Patrimônio Líquido | Capital dos sócios e resultados acumulados | Capital social, reservas, lucros ou prejuízos acumulados |
Exemplo simplificado de balanço patrimonial
Grupo | Valor (R$) |
Ativo Circulante | 300.000 |
Ativo Não Circulante | 700.000 |
Total do Ativo | 1.000.000 |
Passivo Circulante | 250.000 |
Passivo Não Circulante | 350.000 |
Patrimônio Líquido | 400.000 |
Total do Passivo + PL | 1.000.000 |
Perceba que o total do Ativo é igual ao total do Passivo + Patrimônio Líquido, respeitando a equação básica.
Como analisar o balanço patrimonial na prática
Olhar apenas para os valores absolutos não basta. O ideal é transformar o balanço em indicadores que mostram tendências e riscos.
Indicadores básicos para análise de balanço patrimonial
Indicador | Fórmula simplificada | O que avalia | Exemplo de leitura |
Liquidez Corrente | Ativo Circulante / Passivo Circulante | Capacidade de pagar dívidas de curto prazo | Abaixo de 1 pode indicar risco de falta de caixa |
Endividamento Total | (Passivo Total / Ativo Total) x 100 | Quanto do ativo é financiado por terceiros | Percentual alto = maior dependência de dívidas |
Participação de Capital de Terceiros | Passivo Total / Patrimônio Líquido | Relação entre dívidas e capital próprio | Muito acima de 1 indica alavancagem elevada |
Imobilização do Patrimônio Líquido | Ativo Não Circulante / Patrimônio Líquido | Quanto do PL está “preso” em ativos de longo prazo | Alta imobilização reduz flexibilidade de caixa |
Além dos índices, é importante:
Comparar períodos: analisar a evolução do balanço ano a ano ou mês a mês.
Comparar com empresas do setor: entender se o nível de endividamento está dentro do padrão.
Olhar a qualidade dos ativos: altos valores em “Clientes” podem esconder inadimplência, por exemplo.
Como fazer um balanço patrimonial (passo a passo)
1. Levante todas as contas e saldos
O primeiro passo é garantir que a escrituração contábil esteja em dia:
Registre receitas, despesas, compras, vendas, investimentos, financiamentos etc.
Confirme saldos de caixa, bancos, estoques, contas a receber, contas a pagar, empréstimos.
Sem essa base, o balanço patrimonial sai distante da realidade.
2. Classifique as contas em Ativo, Passivo e Patrimônio Líquido
Organize os saldos nas categorias:
Ativo Circulante: tudo que vai se realizar até o próximo ciclo (normalmente 12 meses).
Ativo Não Circulante: bens e direitos com realização acima de 12 meses.
Passivo Circulante: obrigações que vencem até 12 meses.
Passivo Não Circulante: obrigações de longo prazo.
Patrimônio Líquido: capital social, reservas, lucros ou prejuízos acumulados.
3. Monte o quadro do balanço e confira o equilíbrio
Depois de classificar:
Some todos os grupos do Ativo.
Some todos os grupos do Passivo e do Patrimônio Líquido.
Verifique se:
Ativo Total = Passivo Total + Patrimônio Líquido
Se não fechar, há erro de classificação ou lançamento a ser revisado.
4. Revise, valide e gere relatórios gerenciais
Por fim, o contador valida tecnicamente o relatório e a gestão pode:
Gerar uma versão gerencial do balanço, mais visual e comentada.
Construir indicadores (liquidez, endividamento etc.).
Comparar com períodos anteriores e definir planos de ação.
Relação entre balanço patrimonial e DRE
O balanço patrimonial e a DRE são relatórios diferentes, mas totalmente conectados.
A DRE mostra o resultado de um período: se a empresa teve lucro ou prejuízo.
O balanço patrimonial mostra a posição financeira em uma data específica.
Quando a empresa tem lucro na DRE, esse resultado normalmente aumenta o Patrimônio Líquido no balanço (na conta de lucros acumulados ou reservas). Quando há prejuízo, o efeito é o contrário.
No artigo da Scala sobre como analisar a DRE, você aprende a interpretar cada linha da DRE e entender como o resultado é formado.
Como conectar os dois na prática: Use a DRE para entender se a operação está dando lucro. Use o balanço patrimonial para entender como esse lucro está impactando o patrimônio, o endividamento e a liquidez.
Juntos, esses dois relatórios transformam a visão do gestor: de olhar apenas “lucro do mês” para enxergar rentabilidade + saúde financeira + patrimônio.
Balanço patrimonial com a Scala
Muitas empresas até têm um balanço patrimonial pronto, mas:
Recebem o arquivo em PDF ou planilha;
Não entendem o que está por trás dos números;
Não usam o relatório como ferramenta de decisão.
A proposta da Scala é diferente: unir contabilidade + inteligência de gestão.
Antes x Depois de um balanço patrimonial com visão Scala
Situação | Antes da Scala | Com a Scala |
Entendimento do balanço | Relatório “para o contador” | Relatório explicado em linguagem de gestão |
Frequência | Apenas anual | Visão gerencial recorrente (mensal/trimestral) |
Uso na gestão | Arquivo arquivado | Base para decisões de investimento e crédito |
Indicadores | Inexistentes ou pouco usados | Painel com liquidez, endividamento, capital de giro |
Acompanhamento | Reativo, só quando há problema | Proativo, com análise e recomendações de ação |
A Scala atua como parceira estratégica para empresários que querem usar o balanço patrimonial como instrumento de crescimento:
Estruturando a contabilidade de forma organizada.
Traduzindo balanço e DRE para uma visão de negócio.
Apoiando decisões sobre capital de giro, investimentos, dívidas e distribuição de lucros.
Como usar o balanço patrimonial na tomada de decisão
Aqui está o ponto central: como tirar o balanço da gaveta e colocar na mesa de decisão.
Você pode usar o balanço patrimonial para:
Planejar investimentos
Ver se a empresa tem folga de caixa ou se precisará de financiamento para comprar máquinas, expandir estrutura ou abrir novas unidades.
Negociar com bancos e fornecedores
Um balanço bem estruturado passa mais segurança para bancos e parceiros, permitindo taxas melhores e prazos mais adequados.
Avaliar distribuição de lucros
Antes de retirar lucros, o balanço mostra se a empresa tem capital de giro suficiente para suportar as operações.
Reduzir risco financeiro
Ao acompanhar o nível de endividamento, é possível agir antes que a empresa fique excessivamente alavancada.
Apoiar decisões de fusões, vendas e entrada de sócios
O balanço patrimonial é base para avaliação da empresa (valuation), pois mostra sua estrutura de ativos, dívidas e patrimônio.
Conclusão: use o balanço patrimonial como ferramenta de decisão
O balanço patrimonial deixa de ser um documento “obrigatório” e passa a ser um painel de controle estratégico quando você entende sua estrutura e aprende a analisar os indicadores certos.
Ao conectá-lo com a DRE, você passa a enxergar o todo: como a empresa gera resultado (DRE) e como esse resultado se traduz em patrimônio, endividamento e liquidez (balanço patrimonial).
Se você quer transformar o balanço patrimonial em uma ferramenta de decisão, fale com um especialista da Scala e descubra como integrar contabilidade, finanças e estratégia no seu negócio.



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