top of page

Contas a pagar e a receber: como organizar e evitar atrasos.

  • há 20 horas
  • 8 min de leitura

Organize vencimentos, recebimentos e compromissos futuros para reduzir atrasos, antecipar falta de caixa e tomar decisões financeiras com mais previsibilidade.


Empresária organizando contas a pagar e a receber em notebook com dashboard financeiro, analisando vencimentos, recebimentos e fluxo de caixa da empresa.

Uma empresa pode vender bem e ainda ter dificuldade para pagar suas contas no prazo.

Isso acontece porque faturamento não significa dinheiro disponível.


Parte das vendas pode estar parcelada. Alguns clientes podem atrasar. Ao mesmo tempo, fornecedores, salários, impostos e outras despesas possuem datas definidas para sair do caixa.


É justamente por isso que o controle de contas a pagar e a receber precisa fazer parte da rotina financeira.


Quando essas informações estão organizadas, o empresário consegue enxergar não apenas o saldo disponível hoje, mas também quais compromissos estão chegando e quanto dinheiro deve entrar nos próximos dias.


O Sebrae explica que o fluxo de caixa deve reunir informações dos controles de contas a pagar, contas a receber, vendas, despesas e demais movimentações financeiras. O objetivo é identificar antecipadamente períodos de sobra ou falta de recursos.


Controlar essas duas pontas é o que transforma movimentações isoladas em planejamento financeiro.


O que são contas a pagar e a receber?


As contas a pagar representam todos os compromissos financeiros assumidos pela empresa.


Entre eles podem estar:


  • Fornecedores;

  • Salários e encargos;

  • Aluguel;

  • Sistemas;

  • Financiamentos;

  • Tributos;

  • Serviços contratados;

  • Parcelamentos;

  • Pró-labore.


Já as contas a receber representam valores que a empresa tem direito de receber.


Podem vir de:


  • Vendas a prazo;

  • Parcelas de contratos;

  • Boletos;

  • Cartões;

  • Assinaturas;

  • Serviços prestados;

  • Outros recebíveis.


A diferença parece simples, mas o controle não pode se limitar a registrar valores.

É necessário saber quanto, quando, de quem e para quem o dinheiro será movimentado.


O Sebrae destaca que o controle de contas a receber permite verificar se as entradas previstas serão suficientes para cobrir as saídas e também identificar padrões de pagamento e inadimplência.


Por que controlar contas a pagar e a receber?


Imagine uma empresa com R$ 40 mil disponíveis na conta bancária.


O saldo parece confortável.

Mas, nos próximos dez dias, ela possui:

Compromisso

Valor

Folha e encargos

R$ 18.000

Fornecedores

R$ 12.000

Impostos

R$ 8.000

Aluguel e sistemas

R$ 4.000

Total a pagar

R$ 42.000

Ao mesmo tempo, existem R$ 25 mil em vendas realizadas.

O problema é que esses clientes pagarão apenas no próximo mês.


Nesse cenário, olhar somente para o saldo de R$ 40 mil pode levar o empresário a acreditar que existe dinheiro disponível para uma nova compra ou investimento.


Na prática, o caixa já está comprometido.


Um bom controle de contas a pagar e a receber permite enxergar essa situação antes que o vencimento chegue.


Qual é a diferença entre contas a pagar e fluxo de caixa?


O controle de contas a pagar mostra os compromissos financeiros da empresa.


O fluxo de caixa reúne esses compromissos com os recebimentos previstos, saldos disponíveis e demais entradas e saídas para mostrar como o dinheiro deve se comportar ao longo do tempo.


Por isso, os dois controles precisam estar conectados.


Se quiser aprofundar essa estrutura, veja como montar e projetar o fluxo de caixa empresarial.


O Sebrae também recomenda que a projeção financeira inclua direitos a receber, contas a pagar e estimativas futuras, justamente para antecipar problemas de liquidez.


Como organizar as contas a pagar?


O primeiro passo é centralizar todas as obrigações.


Uma empresa não deveria depender da memória do gestor, de mensagens no WhatsApp ou de boletos espalhados no e-mail.


Cada conta precisa conter pelo menos:


  • Fornecedor;

  • Descrição;

  • Categoria;

  • Valor;

  • Data de vencimento;

  • Forma de pagamento;

  • Status;

  • Centro de custo, quando aplicável.


Depois, organize os vencimentos por data.


Uma visualização simples pode ser:

Vencimento

Despesa

Valor

Status

05/09

Aluguel

R$ 5.000

Programado

07/09

Fornecedor A

R$ 8.500

Pendente

10/09

Sistema

R$ 800

Programado

12/09

Impostos

R$ 6.200

Pendente

A planilha de contas a pagar do Sebrae segue essa lógica: acompanhar obrigações e vencimentos para evitar atrasos e reduzir o risco de falta de caixa.


Não espere o vencimento para olhar a conta


Um dos erros mais comuns é administrar o financeiro por urgência.


A conta vence amanhã, então ela entra na pauta hoje.

Esse modelo mantém o empresário constantemente reagindo.


Uma rotina melhor é trabalhar com uma janela futura.


Por exemplo:


Todos os dias: conferir movimentações realizadas.

Toda segunda-feira: revisar vencimentos dos próximos sete dias.

Toda sexta-feira: olhar os próximos 15 ou 30 dias.


Assim, se houver um período com mais saídas do que entradas, a empresa ganha tempo para agir.

Pode antecipar uma cobrança, negociar um fornecedor ou adiar uma despesa não prioritária.


Como organizar as contas a receber?


O controle de recebimentos também deve ser detalhado.


Registre:

  • Cliente;

  • Venda ou contrato;

  • Valor;

  • Data prevista;

  • Forma de pagamento;

  • Parcela;

  • Status;

  • Data efetiva do recebimento.


Imagine:

Cliente

Valor

Previsão

Status

Cliente A

R$ 7.000

05/09

Recebido

Cliente B

R$ 12.000

08/09

A receber

Cliente C

R$ 4.500

10/09

Atrasado

Cliente D

R$ 9.000

15/09

A receber

Esse controle permite diferenciar receita vendida de dinheiro efetivamente recebido.


A Omie recomenda centralizar as informações de contas a receber, estabelecer processos de cobrança e acompanhar indicadores para melhorar a previsibilidade financeira.


Venda realizada não é recebimento garantido


Esse ponto é especialmente importante em empresas que trabalham com vendas a prazo.


Imagine que a empresa tenha vendido R$ 100 mil no mês.

Se R$ 60 mil forem recebidos apenas nos meses seguintes, não existem R$ 100 mil disponíveis para pagar despesas hoje.


Essa diferença entre competência e caixa pode gerar uma situação aparentemente contraditória:

a empresa apresenta resultado positivo, mas não tem dinheiro suficiente para cumprir suas obrigações.


Por isso, decisões financeiras não devem considerar apenas o faturamento.

Precisam observar quando o dinheiro estará disponível.


Como evitar atrasos nas contas a pagar?


O atraso geralmente começa antes do vencimento.


Pode surgir porque:


  • A conta não foi registrada;

  • O boleto ficou perdido;

  • Não havia dinheiro disponível;

  • O pagamento dependia de aprovação;

  • O responsável não foi avisado;

  • A empresa esperava receber um cliente que atrasou.


Para reduzir essas situações, crie um processo.


Centralize as contas

Defina um único local para registrar todos os compromissos.


Defina responsáveis

Quem cadastra? Quem confere? Quem aprova? Quem executa?


Trabalhe com antecedência

Não prepare pagamentos apenas no dia do vencimento.


Use alertas

Planilhas, agendas e sistemas podem gerar lembretes.


Faça conciliação bancária

Depois do pagamento, confirme se a movimentação realmente ocorreu e atualize o status.

Um pagamento feito e não baixado no controle pode aparecer como pendente e distorcer o caixa.


Como reduzir atrasos dos clientes?


Contas a receber também precisam de processo.

A cobrança não deveria começar apenas quando a dívida já está muito atrasada.


Uma rotina pode seguir esta sequência:


Antes do vencimento: lembrete amigável.

No vencimento: envio da cobrança.

Após o vencimento: contato informando a pendência.

Atrasos maiores: processo de negociação ou cobrança definido pela empresa.


O Sebrae recomenda acompanhar os prazos e manter um sistema de cobrança, porque recebimentos não realizados podem comprometer o planejamento do caixa.


Quanto mais previsível for o processo, menos a cobrança dependerá de decisões improvisadas.


Crie uma política de cobrança


A empresa precisa definir previamente:


  • Quando enviar lembretes;

  • Após quantos dias realizar contato;

  • Se haverá juros ou multa;

  • Em quais situações oferecer negociação;

  • Quando suspender novas vendas;

  • Quem será responsável pelo contato.


Isso reduz tratamentos diferentes para clientes semelhantes.

Também permite acompanhar a inadimplência de forma mais profissional.


Contas a pagar e a receber precisam conversar entre si


Controlar apenas um dos lados não resolve.


Imagine que a empresa possua:


R$ 80 mil a receber nos próximos 30 dias

e

R$ 70 mil a pagar no mesmo período.


Parece suficiente.

Mas veja a distribuição:

Semana

A receber

A pagar

Diferença

Semana 1

R$ 10.000

R$ 30.000

-R$ 20.000

Semana 2

R$ 15.000

R$ 20.000

-R$ 5.000

Semana 3

R$ 25.000

R$ 10.000

+R$ 15.000

Semana 4

R$ 30.000

R$ 10.000

+R$ 20.000

No total, o mês é positivo.


Mas as duas primeiras semanas exigem caixa.

É exatamente esse tipo de situação que uma projeção financeira revela.


Organize os vencimentos conforme os recebimentos


Nem sempre é possível mudar as datas, mas vale negociar quando fizer sentido.


Se a maior parte dos clientes paga entre os dias 10 e 15, concentrar grande parte dos fornecedores no dia 5 pode criar uma pressão desnecessária.


Ao negociar contratos novos, tente aproximar as datas de pagamento da realidade dos seus recebimentos.


Esse alinhamento melhora o ciclo financeiro e reduz a necessidade de utilizar capital de giro apenas para cobrir diferenças de prazo.


Não comprometa todo o caixa disponível


Mesmo com um controle organizado, imprevistos acontecem.


Clientes atrasam.

Equipamentos quebram.

Vendas ficam abaixo da projeção.


Por isso, não trate todo saldo positivo como dinheiro livre.

A empresa precisa preservar capital para sustentar a operação.


Essa lógica aparece também no orçamento empresarial: receitas, custos e investimentos devem ser planejados antes que novos compromissos sejam assumidos.


Planejamento de caixa e orçamento precisam caminhar juntos.


Planilha ou sistema: o que usar?


Para operações pequenas, uma planilha pode funcionar.

Ela precisa estar atualizada e conter todas as movimentações.


Conforme o volume aumenta, porém, surgem dificuldades:


  • Muitas contas;

  • Vários bancos;

  • Diferentes formas de recebimento;

  • Parcelamentos;

  • Cobranças;

  • Centros de custo;

  • Mais de uma pessoa operando o financeiro.


Nesse momento, um sistema financeiro pode reduzir trabalho manual.


A Conta Azul reúne contas a pagar, contas a receber e fluxo de caixa em uma visão integrada, permitindo acompanhar valores previstos de entrada e saída.


A ferramenta, porém, não substitui o processo.

Um sistema com dados atrasados continua mostrando uma visão incorreta.


Quais indicadores acompanhar?


Não é necessário começar com dezenas de métricas.

Alguns indicadores já ajudam bastante.


  1. Total a pagar

Quanto a empresa possui de compromissos futuros.


  1. Total a receber

Quanto espera receber em determinado período.


  1. Valores vencidos

Contas que já passaram da data.


  1. Inadimplência

Quanto dos recebimentos esperados não entrou no prazo.


  1. Prazo médio de recebimento

Quanto tempo, em média, a empresa leva para transformar vendas em dinheiro.


  1. Prazo médio de pagamento

Quanto tempo existe entre a compra e o pagamento aos fornecedores.


  1. Saldo projetado

Quanto caixa deve existir depois das entradas e saídas previstas.


Esses dados ajudam a sair de uma gestão baseada apenas no saldo bancário.


O que fazer quando falta dinheiro para pagar as contas?


O primeiro passo é entender se o problema é pontual ou recorrente.


Se existe dinheiro para receber nos próximos dias e ocorreu apenas um desencontro de datas, pode haver um problema de fluxo.


Se a empresa constantemente precisa atrasar fornecedores, utilizar cheque especial ou antecipar recebíveis para funcionar, pode existir uma questão estrutural.


Analise:


  • Margem das vendas;

  • Despesas fixas;

  • Endividamento;

  • Inadimplência;

  • Prazo dos clientes;

  • Prazo dos fornecedores;

  • Retiradas dos sócios;

  • Preço dos produtos ou serviços.


Às vezes, o problema aparentemente está nas contas a pagar, mas a causa está na precificação ou na margem.


Por isso, vale acompanhar também a margem de contribuição para entender quanto das vendas realmente fica disponível para pagar a estrutura.


Como criar uma rotina de contas a pagar e a receber


Uma rotina simples pode funcionar assim:


  • Diariamente

Registrar novas contas, pagamentos e recebimentos.


  • Duas ou três vezes por semana

Conferir extratos e realizar conciliação.


  • Semanalmente

Revisar:

  • Vencimentos;

  • Recebimentos esperados;

  • Clientes atrasados;

  • Saldo projetado.


  • Mensalmente

Analisar:

  • Inadimplência;

  • Principais despesas;

  • Resultado financeiro;

  • Fluxo projetado dos próximos meses.


A consistência é mais importante do que criar um processo complexo.


Quando vale a pena terceirizar essa rotina?


Conforme a empresa cresce, manter esse controle pode começar a consumir muito tempo dos sócios.


É comum perceber sinais como:


  • Pagamentos dependendo do empresário;

  • Cobranças atrasadas;

  • Conciliação acumulada;

  • Falta de relatórios;

  • Informações espalhadas;

  • Financeiro dependente de uma única pessoa.


Nesse momento, pode fazer sentido estruturar ou terceirizar parte da operação.


No artigo sobre BPO financeiro, mostramos como atividades como contas a pagar, contas a receber, cobrança, conciliação e fluxo de caixa podem ser organizadas dentro de uma rotina financeira recorrente.


O objetivo não é retirar o controle do empresário.

É tirar a dependência operacional dele.


Erros comuns no controle de contas a pagar e a receber


  • Olhar apenas o saldo bancário

O saldo não mostra compromissos futuros.


  • Registrar contas apenas no vencimento

O pagamento precisa aparecer no controle desde o momento em que o compromisso é assumido.


  • Considerar venda como dinheiro disponível

Uma venda a prazo ainda não virou caixa.


  • Não acompanhar atrasos dos clientes

Inadimplência acumulada compromete as projeções.


  • Misturar contas pessoais e empresariais

Despesas dos sócios distorcem o caixa e dificultam saber quanto a operação realmente custa.


  • Não conciliar os bancos

O controle precisa refletir o que efetivamente aconteceu nas contas bancárias.


  • Não projetar os próximos meses

Organizar apenas a semana atual mantém o financeiro sempre reagindo.


Organize hoje o dinheiro que vai entrar e sair amanhã


Controlar contas a pagar e a receber não é apenas evitar boletos vencidos.

É saber se o dinheiro que deve entrar será suficiente para sustentar os compromissos assumidos pela empresa.


Quando pagamentos, recebimentos e prazos são acompanhados em conjunto, o empresário ganha capacidade de antecipação.


Pode cobrar antes.

Negociar antes.

Planejar antes.

E decidir sem depender apenas do saldo da conta naquele momento.


A Com Você Scala integra gestão financeira, tecnologia e contabilidade para ajudar pequenas e médias empresas a organizar rotinas, acompanhar o caixa e transformar movimentações financeiras em informações para decisão.


Faça o diagnóstico empresarial da Scala e descubra como tornar a gestão financeira da sua empresa mais organizada e previsível.

Comentários


Compartilhe:

Deseja receber conteúdos inéditos diretamente no seu email?

bottom of page