Como fazer a declaração do Imposto de Renda sem cair na malha fina
- eluanpaula
- há 15 horas
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Organizar documentos, entender as regras e evitar a malha fina não precisa ser complicado. Com um pouco de planejamento, a declaração do Imposto de Renda vira um processo previsível e a favor da sua vida financeira.

Por que a declaração do Imposto de Renda ainda gera tantas dúvidas
A declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) é uma das obrigações fiscais mais importantes do ano. Ela indica para a Receita Federal quanto você ganhou, quais foram seus gastos dedutíveis e se ainda há imposto a pagar ou a restituir.
Nos últimos anos, as regras de isenção e de obrigatoriedade vêm mudando, com ampliação da faixa de isenção para quem recebe até R$ 5 mil por mês, conforme a Lei 15.270/2025. Ao mesmo tempo, os sistemas da Receita estão mais digitais, integrados a bancos, empresas, planos de saúde e corretoras – o que aumenta o risco de cair na malha fina para quem declara “no improviso”.
A boa notícia é que, com preparação e atenção, a declaração deixa de ser um problema e passa a ser um processo previsível, alinhado à gestão financeira da sua vida e da sua empresa.
O que é o Imposto de Renda?
O Imposto de Renda é um tributo federal cobrado sobre os ganhos de pessoas físicas e jurídicas. No caso da pessoa física, entram nessa conta salários, aposentadorias, aluguéis, alguns tipos de investimentos e outras fontes de renda.
Todos os anos, a Receita Federal publica as regras e a tabela progressiva, com as faixas de rendimento e as respectivas alíquotas. Quem recebe acima da faixa de isenção passa a contribuir, em percentuais que aumentam conforme a renda.
Na prática, a declaração anual de Imposto de Renda:
Informa seus rendimentos (quanto você ganhou no ano).
Registra seus gastos dedutíveis (saúde, educação, previdência, dependentes etc., dentro das regras).
Compara o imposto devido com o imposto já pago (via retenção na fonte ou recolhimento mensal).
Ao final, podem ocorrer três cenários:
Restituição – você pagou mais imposto ao longo do ano do que deveria.
Imposto a pagar – você pagou menos e precisa complementar.
Situação zerada – o que foi pago é exatamente o que era devido.
Quem precisa declarar o Imposto de Renda?
As regras mudam ano a ano, mas, de forma geral, são obrigados a declarar os contribuintes que, no ano-calendário anterior:
Receberam rendimentos tributáveis acima do limite de isenção anual definido para aquele ano (por exemplo, para a declaração de 2025, quem teve rendimentos acima de R$ 33.888 em 2024, segundo a Receita Federal).
Tiveram rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte (como poupança, alguns investimentos, prêmios de loteria) somando acima de determinado valor anual (em 2025, o valor de referência foi R$ 200 mil).
Obtiveram ganho de capital na venda de bens ou direitos (imóveis, por exemplo) sujeito à incidência de imposto.
Realizaram operações em Bolsa de Valores ou outros mercados organizados, acima dos limites fixados.
Possuíam, em 31/12, bens ou direitos acima de um valor mínimo (como imóveis, veículos, aplicações)
Tiveram receita bruta de atividade rural acima do limite anual definido.
Além disso, as recentes mudanças ampliaram o limite de isenção mensal para quem ganha até R$ 5 mil, com reflexo no cálculo do IR anual para rendas mais baixas.
Atenção: sempre consulte as regras vigentes no ano da declaração diretamente no site da Receita Federal antes de concluir o envio, porque valores e limites mudam ao longo do tempo.
Como se preparar para fazer a declaração do Imposto de Renda
Aqui começa a parte prática. Quanto melhor for sua preparação, menor a chance de erro e de cair na malha fina – e melhor a sua visão financeira ao longo do ano.
1. Organize documentos pessoais e dos dependentes
Separe:
CPF, RG e comprovante de endereço.
Dados bancários para restituição (ou chave Pix, quando liberado).
CPF de cônjuge e dependentes, se for o caso.
2. Reúna os informes de rendimentos
Você vai precisar de:
Informe de rendimentos do empregador (salários, 13º, IR retido na fonte).
Informes de bancos e corretoras (aplicações financeiras, investimentos, saldos acima do mínimo exigido).
Informes de previdência privada (PGBL, VGBL).
Comprovantes de aluguéis recebidos e outras rendas.
3. Separe os comprovantes de despesas dedutíveis
Dependendo do regime de dedução que você escolher (completa ou simplificada), será importante guardar:
Recibos e notas fiscais de despesas médicas (consultas, exames, planos de saúde).
Comprovantes de mensalidade escolar (educação básica, ensino superior).
Comprovantes de contribuições à previdência complementar (PGBL, até o limite permitido).
Despesas com dependentes, dentro das regras da Receita.
Mesmo que você use a declaração simplificada (que aplica um desconto padrão), é prudente manter os comprovantes por alguns anos, caso a Receita solicite.
4. Acesse o programa ou aplicativo da Receita Federal
A declaração pode ser feita via:
Programa Gerador da Declaração (PGD) para computador.
App “Meu Imposto de Renda” (para smartphones).
Portal e-CAC, para quem já tem conta gov.br com selo de confiabilidade adequado.
Os sistemas permitem:
Importar dados da declaração do ano anterior.
Usar a declaração pré-preenchida, que puxa automaticamente informações de fontes pagadoras, bancos e planos de saúde – reduzindo erros, mas exigindo conferência linha a linha.
5. Escolha entre declaração completa ou simplificada
Modelo completo: recomendado para quem tem muitas despesas dedutíveis (saúde, educação, dependentes) que, somadas, superam o desconto padrão.
Modelo simplificado: aplica um desconto único sobre os rendimentos tributáveis, sem necessidade de detalhar as despesas. É mais simples, mas nem sempre o mais vantajoso.
Uma boa prática é simular nos dois modelos antes de transmitir a declaração, comparando o imposto a pagar ou a restituir.
O que é malha fina?
Quando você envia sua declaração, ela passa pelos sistemas de análise da Receita Federal, que cruzam:
As informações que você declarou.
Os dados enviados por empresas, bancos, planos de saúde, escolas, corretoras e outras fontes, por meio de declarações próprias.
Cair na malha fina (ou malha fiscal) significa que a declaração foi retida para uma verificação mais detalhada, porque o sistema detectou:
Inconsistências entre os dados declarados e os dados de terceiros.
Suspeita de erro, omissão ou até tentativa de fraude.
Isso não significa automaticamente que a sua declaração está errada – mas indica que você pode ser chamado a comprovar as informações com documentos ou corrigir o que foi enviado.
Consequências comuns:
A restituição fica bloqueada até a situação ser resolvida.
Se for constatado imposto a pagar, podem ser cobrados juros e multa.
Em casos mais graves, pode haver investigação por sonegação.
Erros que levam à malha fina e como evitar
Aqui estão alguns dos erros mais frequentes que colocam contribuintes na malha fina e o que fazer para não repetir.
1. Omissão de rendimentos
Erro: deixar de declarar uma fonte de renda (um emprego antigo, um trabalho como autônomo, aluguéis, rendimentos de dependentes, aplicações financeiras etc.).
Como evitar:
Liste todos os CNPJs que pagaram algum valor ao longo do ano.
Inclua os rendimentos de dependentes.
Use a declaração pré-preenchida como conferência adicional, sem confiar cegamente.
2. Valores diferentes dos informes de rendimentos
Erro: digitar valores diferentes dos informados por empresas, bancos ou corretoras, por erro de digitação ou tentativa de “ajustar” números.
Como evitar:
Sempre copie os valores exatamente como nos informes.
Redobre a atenção com casas decimais.
Revise toda a declaração antes de enviar.
3. Despesas médicas incompatíveis ou sem comprovação
Erro: lançar despesas médicas com valores errados, serviços não realizados, notas em nome de terceiros que não são dependentes, ou sem guardar comprovantes.
Como evitar:
Declare apenas despesas reais, com recibos ou notas fiscais.
Confira se o CPF do paciente na nota é o seu ou de um dependente declarado.
Organize os comprovantes em uma pasta (física ou digital) e guarde por pelo menos cinco anos.
4. Declaração de dependentes incorreta
Erro: declarar um dependente que também aparece como dependente em outra declaração, ou não informar os rendimentos desse dependente.
Como evitar:
Lembre que um dependente só pode constar em uma declaração.
Inclua os rendimentos do dependente (salário, estágio, pensão etc.).
Avalie se vale a pena mantê-lo como dependente ou se é melhor retirá-lo.
5. Erros na declaração de bens e direitos
Erro: declarar imóveis, veículos e outros bens com valores de mercado (e não de aquisição), omitir bens ou deixar de atualizar financiamentos.
Como evitar:
Use sempre o valor de compra do bem, atualizado apenas por reformas relevantes ou amortizações de financiamento, conforme as regras.
Inclua bens que ultrapassem os limites exigidos, mesmo que isentos.
Mantenha o histórico de evolução do patrimônio coerente com sua renda.
6. Incompatibilidade entre movimentação financeira e renda declarada
Erro: ter movimentação bancária, investimentos ou compras de alto valor que não “fecham” com a renda declarada. Isso acende um alerta de inconsistência para a Receita.
Como evitar:
Evite usar sua conta bancária para movimentar valores de terceiros.
Registre corretamente rendimentos extras (freelas, aluguéis, venda de bens).
Mantenha um controle financeiro mínimo para explicar a origem dos recursos.
7. Não retificar a declaração ao perceber um erro
Erro: descobrir um erro e não enviar uma declaração retificadora, esperando que “passe batido”.
Como evitar:
Se notar qualquer erro após o envio, acesse o programa ou o app da Receita.
Faça uma declaração retificadora, corrigindo apenas o que está errado.
Quanto antes você retificar, menores os riscos e eventuais custos.
Passo a passo para fazer a declaração do Imposto de Renda
Para consolidar tudo, veja um roteiro simplificado:
Confirme se você é obrigado a declarar: Consulte as regras do ano no site da Receita Federal.
Reúna documentos e informes: Dados pessoais, informes de rendimentos, comprovantes de despesas dedutíveis, dados de bens e direitos.
Baixe o programa ou app oficial: PGD, aplicativo “Meu Imposto de Renda” ou portal e-CAC.
Avalie usar a declaração pré-preenchida: Importe os dados já existentes e confira cada campo.
Preencha rendimentos, bens e dívidas: Use exatamente os valores dos informes; registre bens com valor de aquisição.
Inclua despesas dedutíveis (no modelo completo): Saúde, educação, previdência, dependentes, sempre com comprovantes.
Simule nos dois modelos (completo e simplificado): Compare imposto a pagar ou restituição antes de decidir.
Revise tudo com calma: Procure erros de digitação, campos em branco e incoerências.
Envie a declaração e salve o recibo: Guarde o arquivo da declaração, o recibo e a documentação de suporte.
Acompanhe o processamento: Use o portal e-CAC para verificar se a declaração foi processada ou se entrou em malha fina.
Resultados e benefícios práticos de uma declaração bem feita
Quando a declaração do Imposto de Renda é tratada de forma estratégica, em vez de “correria de última hora”, você ganha:
Tranquilidade fiscal: menores chances de malha fina, autuações e multas.
Previsibilidade financeira: você consegue antecipar se terá imposto a pagar ou restituição, e planejar o caixa.
Visão de patrimônio: ao consolidar bens, dívidas e investimentos, você enxerga melhor sua evolução financeira.
Melhor gestão de documentos: organização que também ajuda no dia a dia da empresa, se você for empreendedor.
Do ponto de vista de gestão, soluções integradas de controle financeiro e fiscal – como ERPs, CRMs e plataformas de gestão – ajudam a manter os dados organizados o ano inteiro, facilitando tanto a vida da pessoa física quanto da empresa.
Transforme a declaração do Imposto de Renda em aliada da sua gestão financeira
Fazer a declaração do Imposto de Renda não precisa ser sinônimo de estresse. Com preparação, organização dos documentos e atenção aos detalhes, você reduz drasticamente as chances de cair na malha fina e transforma uma obrigação em um processo previsível.
Se você quer transformar a declaração do Imposto de Renda em aliada da sua gestão financeira, comece hoje:
Revise seu último ano;
Organize seus documentos;
Estruture uma rotina fiscal contínua.
E, se fizer sentido para você, conte com o apoio de um especialista para ter mais segurança, inteligência e liberdade para focar no que realmente faz o seu dinheiro crescer.



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