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Como fazer a declaração do Imposto de Renda sem cair na malha fina

  • eluanpaula
  • há 15 horas
  • 8 min de leitura

Organizar documentos, entender as regras e evitar a malha fina não precisa ser complicado. Com um pouco de planejamento, a declaração do Imposto de Renda vira um processo previsível e a favor da sua vida financeira.


Mulher profissional trabalhando em escritório moderno, sentada à mesa com notebook, documentos e calculadora, em ambiente corporativo com iluminação azul e equipe ao fundo.
Imagem criada com Freepik IA

Por que a declaração do Imposto de Renda ainda gera tantas dúvidas


A declaração do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) é uma das obrigações fiscais mais importantes do ano. Ela indica para a Receita Federal quanto você ganhou, quais foram seus gastos dedutíveis e se ainda há imposto a pagar ou a restituir.


Nos últimos anos, as regras de isenção e de obrigatoriedade vêm mudando, com ampliação da faixa de isenção para quem recebe até R$ 5 mil por mês, conforme a Lei 15.270/2025. Ao mesmo tempo, os sistemas da Receita estão mais digitais, integrados a bancos, empresas, planos de saúde e corretoras – o que aumenta o risco de cair na malha fina para quem declara “no improviso”.


A boa notícia é que, com preparação e atenção, a declaração deixa de ser um problema e passa a ser um processo previsível, alinhado à gestão financeira da sua vida e da sua empresa.


O que é o Imposto de Renda?


O Imposto de Renda é um tributo federal cobrado sobre os ganhos de pessoas físicas e jurídicas. No caso da pessoa física, entram nessa conta salários, aposentadorias, aluguéis, alguns tipos de investimentos e outras fontes de renda.


Todos os anos, a Receita Federal publica as regras e a tabela progressiva, com as faixas de rendimento e as respectivas alíquotas. Quem recebe acima da faixa de isenção passa a contribuir, em percentuais que aumentam conforme a renda.


Na prática, a declaração anual de Imposto de Renda:


  • Informa seus rendimentos (quanto você ganhou no ano).

  • Registra seus gastos dedutíveis (saúde, educação, previdência, dependentes etc., dentro das regras).

  • Compara o imposto devido com o imposto já pago (via retenção na fonte ou recolhimento mensal).


Ao final, podem ocorrer três cenários:


  1. Restituição – você pagou mais imposto ao longo do ano do que deveria.

  2. Imposto a pagar – você pagou menos e precisa complementar.

  3. Situação zerada – o que foi pago é exatamente o que era devido.


Quem precisa declarar o Imposto de Renda?


As regras mudam ano a ano, mas, de forma geral, são obrigados a declarar os contribuintes que, no ano-calendário anterior:


  • Receberam rendimentos tributáveis acima do limite de isenção anual definido para aquele ano (por exemplo, para a declaração de 2025, quem teve rendimentos acima de R$ 33.888 em 2024, segundo a Receita Federal).


  • Tiveram rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte (como poupança, alguns investimentos, prêmios de loteria) somando acima de determinado valor anual (em 2025, o valor de referência foi R$ 200 mil).


  • Obtiveram ganho de capital na venda de bens ou direitos (imóveis, por exemplo) sujeito à incidência de imposto.


  • Realizaram operações em Bolsa de Valores ou outros mercados organizados, acima dos limites fixados.


  • Possuíam, em 31/12, bens ou direitos acima de um valor mínimo (como imóveis, veículos, aplicações)


  • Tiveram receita bruta de atividade rural acima do limite anual definido.


Além disso, as recentes mudanças ampliaram o limite de isenção mensal para quem ganha até R$ 5 mil, com reflexo no cálculo do IR anual para rendas mais baixas.

Atenção: sempre consulte as regras vigentes no ano da declaração diretamente no site da Receita Federal antes de concluir o envio, porque valores e limites mudam ao longo do tempo.

Como se preparar para fazer a declaração do Imposto de Renda


Aqui começa a parte prática. Quanto melhor for sua preparação, menor a chance de erro e de cair na malha fina – e melhor a sua visão financeira ao longo do ano.


1. Organize documentos pessoais e dos dependentes


Separe:


  • CPF, RG e comprovante de endereço.

  • Dados bancários para restituição (ou chave Pix, quando liberado).

  • CPF de cônjuge e dependentes, se for o caso.


2. Reúna os informes de rendimentos


Você vai precisar de:


  • Informe de rendimentos do empregador (salários, 13º, IR retido na fonte).

  • Informes de bancos e corretoras (aplicações financeiras, investimentos, saldos acima do mínimo exigido).

  • Informes de previdência privada (PGBL, VGBL).

  • Comprovantes de aluguéis recebidos e outras rendas.


3. Separe os comprovantes de despesas dedutíveis


Dependendo do regime de dedução que você escolher (completa ou simplificada), será importante guardar:


  • Recibos e notas fiscais de despesas médicas (consultas, exames, planos de saúde).

  • Comprovantes de mensalidade escolar (educação básica, ensino superior).

  • Comprovantes de contribuições à previdência complementar (PGBL, até o limite permitido).

  • Despesas com dependentes, dentro das regras da Receita.


Mesmo que você use a declaração simplificada (que aplica um desconto padrão), é prudente manter os comprovantes por alguns anos, caso a Receita solicite.


4. Acesse o programa ou aplicativo da Receita Federal


A declaração pode ser feita via:



Os sistemas permitem:


  • Importar dados da declaração do ano anterior.

  • Usar a declaração pré-preenchida, que puxa automaticamente informações de fontes pagadoras, bancos e planos de saúde – reduzindo erros, mas exigindo conferência linha a linha.


5. Escolha entre declaração completa ou simplificada


  • Modelo completo: recomendado para quem tem muitas despesas dedutíveis (saúde, educação, dependentes) que, somadas, superam o desconto padrão.


  • Modelo simplificado: aplica um desconto único sobre os rendimentos tributáveis, sem necessidade de detalhar as despesas. É mais simples, mas nem sempre o mais vantajoso.


Uma boa prática é simular nos dois modelos antes de transmitir a declaração, comparando o imposto a pagar ou a restituir.


O que é malha fina?


Quando você envia sua declaração, ela passa pelos sistemas de análise da Receita Federal, que cruzam:


  • As informações que você declarou.

  • Os dados enviados por empresas, bancos, planos de saúde, escolas, corretoras e outras fontes, por meio de declarações próprias.


Cair na malha fina (ou malha fiscal) significa que a declaração foi retida para uma verificação mais detalhada, porque o sistema detectou:


  • Inconsistências entre os dados declarados e os dados de terceiros.

  • Suspeita de erro, omissão ou até tentativa de fraude.


Isso não significa automaticamente que a sua declaração está errada – mas indica que você pode ser chamado a comprovar as informações com documentos ou corrigir o que foi enviado.


Consequências comuns:


  • A restituição fica bloqueada até a situação ser resolvida.

  • Se for constatado imposto a pagar, podem ser cobrados juros e multa.

  • Em casos mais graves, pode haver investigação por sonegação.


Erros que levam à malha fina e como evitar


Aqui estão alguns dos erros mais frequentes que colocam contribuintes na malha fina e o que fazer para não repetir.


1. Omissão de rendimentos


Erro: deixar de declarar uma fonte de renda (um emprego antigo, um trabalho como autônomo, aluguéis, rendimentos de dependentes, aplicações financeiras etc.).


Como evitar:


  • Liste todos os CNPJs que pagaram algum valor ao longo do ano.

  • Inclua os rendimentos de dependentes.

  • Use a declaração pré-preenchida como conferência adicional, sem confiar cegamente.


2. Valores diferentes dos informes de rendimentos


Erro: digitar valores diferentes dos informados por empresas, bancos ou corretoras, por erro de digitação ou tentativa de “ajustar” números.


Como evitar:


  • Sempre copie os valores exatamente como nos informes.

  • Redobre a atenção com casas decimais.

  • Revise toda a declaração antes de enviar.


3. Despesas médicas incompatíveis ou sem comprovação


Erro: lançar despesas médicas com valores errados, serviços não realizados, notas em nome de terceiros que não são dependentes, ou sem guardar comprovantes.


Como evitar:


  • Declare apenas despesas reais, com recibos ou notas fiscais.

  • Confira se o CPF do paciente na nota é o seu ou de um dependente declarado.

  • Organize os comprovantes em uma pasta (física ou digital) e guarde por pelo menos cinco anos.


4. Declaração de dependentes incorreta


Erro: declarar um dependente que também aparece como dependente em outra declaração, ou não informar os rendimentos desse dependente.


Como evitar:


  • Lembre que um dependente só pode constar em uma declaração.

  • Inclua os rendimentos do dependente (salário, estágio, pensão etc.).

  • Avalie se vale a pena mantê-lo como dependente ou se é melhor retirá-lo.


5. Erros na declaração de bens e direitos


Erro: declarar imóveis, veículos e outros bens com valores de mercado (e não de aquisição), omitir bens ou deixar de atualizar financiamentos.


Como evitar:


  • Use sempre o valor de compra do bem, atualizado apenas por reformas relevantes ou amortizações de financiamento, conforme as regras.

  • Inclua bens que ultrapassem os limites exigidos, mesmo que isentos.

  • Mantenha o histórico de evolução do patrimônio coerente com sua renda.


6. Incompatibilidade entre movimentação financeira e renda declarada


Erro: ter movimentação bancária, investimentos ou compras de alto valor que não “fecham” com a renda declarada. Isso acende um alerta de inconsistência para a Receita.


Como evitar:


  • Evite usar sua conta bancária para movimentar valores de terceiros.

  • Registre corretamente rendimentos extras (freelas, aluguéis, venda de bens).

  • Mantenha um controle financeiro mínimo para explicar a origem dos recursos.


7. Não retificar a declaração ao perceber um erro


Erro: descobrir um erro e não enviar uma declaração retificadora, esperando que “passe batido”.


Como evitar:


  • Se notar qualquer erro após o envio, acesse o programa ou o app da Receita.

  • Faça uma declaração retificadora, corrigindo apenas o que está errado.

  • Quanto antes você retificar, menores os riscos e eventuais custos.


Passo a passo para fazer a declaração do Imposto de Renda


Para consolidar tudo, veja um roteiro simplificado:


  1. Confirme se você é obrigado a declarar: Consulte as regras do ano no site da Receita Federal.


  2. Reúna documentos e informes: Dados pessoais, informes de rendimentos, comprovantes de despesas dedutíveis, dados de bens e direitos.


  3. Baixe o programa ou app oficial: PGD, aplicativo “Meu Imposto de Renda” ou portal e-CAC.


  4. Avalie usar a declaração pré-preenchida: Importe os dados já existentes e confira cada campo.


  5. Preencha rendimentos, bens e dívidas: Use exatamente os valores dos informes; registre bens com valor de aquisição.


  6. Inclua despesas dedutíveis (no modelo completo): Saúde, educação, previdência, dependentes, sempre com comprovantes.


  7. Simule nos dois modelos (completo e simplificado): Compare imposto a pagar ou restituição antes de decidir.


  8. Revise tudo com calma: Procure erros de digitação, campos em branco e incoerências.


  9. Envie a declaração e salve o recibo: Guarde o arquivo da declaração, o recibo e a documentação de suporte.


  10. Acompanhe o processamento: Use o portal e-CAC para verificar se a declaração foi processada ou se entrou em malha fina.


Resultados e benefícios práticos de uma declaração bem feita


Quando a declaração do Imposto de Renda é tratada de forma estratégica, em vez de “correria de última hora”, você ganha:


  • Tranquilidade fiscal: menores chances de malha fina, autuações e multas.

  • Previsibilidade financeira: você consegue antecipar se terá imposto a pagar ou restituição, e planejar o caixa.

  • Visão de patrimônio: ao consolidar bens, dívidas e investimentos, você enxerga melhor sua evolução financeira.

  • Melhor gestão de documentos: organização que também ajuda no dia a dia da empresa, se você for empreendedor.


Do ponto de vista de gestão, soluções integradas de controle financeiro e fiscal – como ERPs, CRMs e plataformas de gestão – ajudam a manter os dados organizados o ano inteiro, facilitando tanto a vida da pessoa física quanto da empresa.


Transforme a declaração do Imposto de Renda em aliada da sua gestão financeira


Fazer a declaração do Imposto de Renda não precisa ser sinônimo de estresse. Com preparação, organização dos documentos e atenção aos detalhes, você reduz drasticamente as chances de cair na malha fina e transforma uma obrigação em um processo previsível.



Se você quer transformar a declaração do Imposto de Renda em aliada da sua gestão financeira, comece hoje:


  • Revise seu último ano;

  • Organize seus documentos;

  • Estruture uma rotina fiscal contínua.


E, se fizer sentido para você, conte com o apoio de um especialista para ter mais segurança, inteligência e liberdade para focar no que realmente faz o seu dinheiro crescer.

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